COMO PE. GUMERCINDO COMPREENDEU O SER SACERDOTE?

COMO PE. GUMERCINDO COMPREENDEU O SER SACERDOTE?

      Como Pe. Gumercindo compreendeu o ser sacerdote? Ele, desde criança, e bem antes do uso da razão, quis ser padre ou sacerdote. Nas suas Memórias,[1] fez presente a narração da sua primeira missa celebrada e, nessa época, era apenas uma criancinha. E, como coroinha da sua Paróquia Santo Antônio e Almas de Itabaiana-SE, demonstrou a sua futura vocação sacerdotal. Assim sendo, aos 11 anos de idade foi ser aspirante-estudante da Congregação dos Salesianos de Dom Bosco para ser sacerdote do Deus Altíssimo. Quando foi ordenado presbítero aos 8 de setembro de 1934 no Santuário Sagrado Coração dos Salesiano de Recife-PE, tinha o propósito interior de oferecer todo o seu sacerdócio em favor dos pobres, dos jovens e das vocações. E, como Fundador de três Congregações, procurou tornar esse propósito ainda mais real e palpável, isto é, quis, especialmente, zelar, cuidar e trabalhar pelas vocações sacerdotais e religiosas. Certa vez, disse que a Sociedade Joseleitos de Cristo foi fundada para fazer-dar-oferecer padres para a Igreja de Jesus Cristo. E evidenciou durante a sua vida de Fundador que todo o joseleito deve ser um despertador de vocações, dando atenção singular àquelas mais pobres.[2]

       À luz do que foi dito acima sobre o Padre Fundador no tocante o ser sacerdote ou padre, pode-se observar presente, na sua vida e palavras, o seu grande amor pelo sacerdócio. Neste sentido, deve-se compreender que todo joseleito – já ordenado presbítero – deve amar, profundamente, o seu sacerdócio – recebido em participação do sacerdócio de Cristo Jesus (cf. Carta aos Hebreus). O padre ou sacerdote joseleito deve, prioritariamente, ser magisterial e ministerial.[3] De fato, ele deve gerar novos filhos para o Bom e Sumo Deus na Igreja de Jesus Cristo, ensinando e evangelizando. Nesta linha de ideias, o sacerdote possui o dom de gerar, espiritualmente,[4] o povo de Deus. Assim, o sacerdote está, sem dúvida, vinculado ao celibato, não porque a geração humana seja errada, mas porque ele deve entregar-se, de tal forma, que possa dedicar-se inteira e completamente a mais alta maneira de geração, aquela espiritual. A sua geração se refere àquela de filhos em Cristo Jesus para Deus Pai no Espírito Santo… E aqui está o melhor serviço dos sacerdotes! A geração sacerdotal é transformada em serviço à casta geração no Espírito Santo.    Todavia, o que é ser “padre”? Ou ainda: quem é o “padre”? Chamar o sacerdote de “padre” implica compreender que se trata do modo de tratamento mais forte quanto amplo do sacerdote ser considerado: eis a forma mais apropriada de tratamento! O termo “Father”, na língua inglesa, significa “pai” e também “padre”. Na nossa língua-mãe, o português, o termo “padre” é, exatamente, a forma arcaica de “pai” e que passou a ser utilizada, usada, para designar presbítero ou sacerdote na visão católica. Na Carta aos Efésios (3, 14s), evidencia que o Bom e Sumo Deus é o Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo e dessa paternidade tem origem toda paternidade tanto no céu como na terra… E é aqui que existe ou se faz presente uma singular e estreita relação do sacerdote com o próprio Bom e Sumo Deus.[5]

      Numa palavra, o sacerdote sendo “um pai”, pergunta-se: onde se encontra a sua descendência? Está, no Bispo, a sua descendência: só o “Episcopus” tem a força e o poder de gerar um sacerdote e, exatamente, pelo sacramento da Ordem. Porém, uma coisa é certa: todo sacerdote tem “o poder” e também “o dever” de fomentar a vocação tanto a dele como a dos outros. E, diante do trono do Juízo Misericordioso do Bom Deus, uma pergunta de capital importância será feita ao sacerdote. E qual? Ei-la: quem geraste em Cristo? E ai daquele que a ninguém gerou! Sim, o Bom e Sumo Deus buscará ou pedirá – de cada um de nós, como sacerdote – os frutos da nossa paternidade, da nossa geração espiritual. Portanto, não devemos ser como aquela figueira do Evangelho que era frondosa e bela, mas estéril, logo sem frutos, tendo como prêmio a própria morte (cf. Mt 21, 18-22 e Mc 11, 12-14.20-24).[6]

     Em conclusão, quando estávamos nas Casas de Formação – nos nossos Seminários – certamente nos disseram para sermos “bons padres”, ou seja, “bons sacerdotes”. Parece – e é o que tudo indica – que jamais nos falaram – ou disseram – para sermos “vítimas voluntárias”. Contudo, o Cristo Sacerdote, isto é, o “Sacerdos-Victima”, não foi uma vítima voluntária por amor, logo pela salvação, libertação e redenção de toda a humanidade? De fato, “Ele se ofereceu a Deus por nós, como um Sacrifício de odor suave” (Ef 5, 2). Nosso Padre Fundador não nos falou também isso, ou seja, o de sermos “vítimas voluntárias”, mas nos pediu que fôssemos dedicados e autênticos “padres” orantes, educadores, missionários, no serviço sacerdotal da ação, reação e oração, em favor dos destinatários do nosso carisma congregacional.

Pe. Francisco de Barros Barbosa, sjc

Diretor Geral

                                                                                            Taubaté, 4 de agosto de 2023,

Memória de São João Maria Vianney, Patrono dos Sacerdotes.

[1] Cf. J. G. SANTOS, Pedaços d’Alma. Memórias, Bahia Artes Gráficas LTDA, Feira de Santana 1981, 9.13.16-17.66.97-104.110-120.126.128s.

[2] Cf. Ibid., Quarenta Anos no Deserto, SAGRA, Feira de Santana 1991 (obra póstuma), 161-164 (Circular, nº 1/73: 19º – 21º).

[3] Cf. Ibid., Pedaços d’Alma. Memórias…, p. 136s: Ibid., Quarenta Anos no Deserto…, p. 157-160.

[4] Cf. F. J. SHEEN, O sacerdote não se pertence, Molokai, São Paulo 2020, 92s.

[5] Cf. Ibid., p. 93.

[6] Cf. Ibid., p. 93s.