A DEVOÇÃO AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS: UM LEGADO DO SERVO DE DEUS PE. JOSÉ GUMERCINDO AOS JOSELEITOS DE CRISTO

A DEVOÇÃO AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS: UM LEGADO DO SERVO DE DEUS PE. JOSÉ GUMERCINDO AOS JOSELEITOS DE CRISTO

Nós Joseleitos cultivamos uma certa “curiosidade de filhos” quando desejamos saber mais, mesmo considerando a distância temporal dos acontecimentos, sobre os primórdios de nossa Congregação e as moções que impulsionaram o nosso Fundador na consolidação do carisma e da espiritualidade. É comum, por exemplo, indagarmos os antecedentes que culminaram naquela inspiração do Pe. Gumercindo em oferecer um rol de santos protetores à Sociedade Joseleitos de Cristo.

A cada mês de junho, aproximando-se a solenidade do Sagrado Coração de Jesus, os Joseleitos são particularmente chamados a mergulhar no grande oceano da espiritualidade do Servo de Deus, Pe. José Gumercindo que, no Coração do Senhor, encontrava sua fonte! E, para mantermos viva essa tradição devocional, além de celebrar o tríduo solene e prepararmos a tertúlia comunitária (onde e quando possível), convém dispormo-nos a refletir sobre três critérios que, somados, constituem a razão pela qual o Sagrado Coração foi escolhido e instituído como Protetor por excelência de nossa Congregação.

O primeiro dos aspectos que pontuam o entusiasmo do Pe. Gumercindo em colocar as suas fundações sob a proteção máxima do Sagrado Coração é inerente ao seu contexto eclesial. Na época de sua infância em Itabaina-SE, era comum os agrupamentos de fiéis católicos sob uma espiritualidade, geralmente chamados de irmandades. Entre as irmandades mais evidentes e numerosas sobressaía a irmandade do Apostolado da Oração. Assim, desde a sua tenra idade, quando participava das Santas Missas, servindo como coroinha (cf. Pedaços d’Alma, p. 12), ele pode ter contanto com essa devoção popular e ser estimulado na busca da santidade pessoal, primando por uma vida coerente, buscando alimentar e desenvolver em seu coração de criança os mesmos sentimentos emanados do Coração de Jesus (cf. Fl 2,5).

Esse contato remoto – porque desde o tempo de criança – e progressivo – porque continuou durante o seu ministério sacerdotal, particularmente quando foi nomeado pároco de Tucano-BA, a partir de 06 de janeiro de 1953, o influenciou de modo direto a tomar a decisão de recorrer à suprema custódia do Sagrado Coração de Jesus para lograr graças necessárias nos albores das fundações e para educar os seus filhos e filhas espirituais nessa escola primacial cujos excelentes objetivos são três, como expressou Pio XII: “inumeráveis são as riquezas celestiais que nas almas dos fiéis infunde o culto tributado ao Sagrado Coração, purificando-os, enchendo-os de consolações sobrenaturais e excitando-os a alcançar toda sorte de virtudes” (Huarietisaquas, 2).

E, como sabemos pela história do nosso Fundador, o quanto pessoalmente usufruiu desses benefícios nas horas mais desconfortáveis de sua vida, como ele próprio expressa na letra de uma composição dedicada ao Sagrado Coração de Jesus intitulada Oh, Senhor, doce Rei de minh’alma: “Coração de Jesus terno amigo, eu contigo feliz hei de ser, minha vida será toda tua, doce ou crua, será até morrer” (Devocionário, p. 83).

O segundo aspecto é igualmente relacionado aos primórdios de sua vida espiritual. Esse aspecto podemos chamar de experiência pessoal. Ingressando aos 16 de junho de 1918, com apenas 10 anos de idade, no colégio dos Salesianos de Tebaida (cf. Pedaços d’Alma, p. 18) foi introduzido na espiritualidade de Dom Bosco que baseava-se no Coração manso e bondoso de Jesus, principal coluna no sistema preventivo. Esse tempo de formação e de experiência pessoal o fez mais particularmente próximo e imergido no mar das graças, na fonte inesgotável de misericórdia do “Deus de maravilhas, Senhor dos senhores”(cf. Devocionário, p. 82).

Durante os anos que viveu nos seminários salesianos, experimentando o chamado de Deus nos estudos, na absorção do carisma e da espiritualidade, na convivência fraterna e nas tarefas diárias, o Sagrado Coração de Jesus foi sempre o seu impulso para crescer no conhecimento do amor de Deus e na aspiração de pertencer totalmente ao Altíssimo, enquanto filho e discípulo e, mais tarde, no exercício do ministério e do magistério.

Nesse progresso, o então seminarista salesiano foi assessorado por bons padres confessores e diretores espirituais capazes de colaborar para que o futuro religioso e sacerdote levasse impressa em sua alma a mais clarividente força da devoção ao Sagrado Coração de Jesus: crer no amor de Deus manifestado em seu Filho amado, experimentado por aqueles que acolhem a graça do chamado divino.

Na sequência desse caminho espiritual, como ponto alto, devemos notar a ação divina providenciando para que sua ordenação sacerdotal transcorresse justamente no Santuário do Sagrado Coração de Jesus. Foi ao interno desse Santuário que o Neo-sacerdote experimentou em sua alma de “levita piedoso que decididamente dá esse passo na vida”(cf. Pedaços d’Alma, p. 66) os mais ardentes sentimentos de um ministro do altar. Ao final da ordenação, tendo sido presenteado com “dois livrinhos sacerdotais”, escreveu as duas frases que moldaram a sua vida sacerdotal, como ele próprio expressou-se: “com estas palavras selava minha vocação especial” (cf. idem). Essa foi, em poucas palavras, a experiência pessoal do nosso Fundador.

Hoje, podemos ter acesso e participarmos em certo grau desse aspecto devocional em sua vida somente porque, a princípio, ele perseverou na vocação, mantendo o olhar fixo no espelho do Coração de Jesus. E, também, porque ofereceu-nos, enquanto seus filhos espirituais, a oportunidade de vivermos a mesma experiência do amor de Deus e testemunhá-lo no serviço primordial aos pobres e órfãos, aos jovens e aos vocacionados, nas pequenas comunidades onde se reúne a multidão banhada pelo sangue jorrado do Coração aberto de Jesus (cf. Jo 19,34), ícone da misericórdia divina.

Por último, salientemos um terceiro aspecto de igual importância na escolha da proteção do Sagrado Coração de Jesus. Nós o consideramos em seu valor histórico. Em 1956, seis anos após a fundação da Sociedade Joseleitos de Cristo, o Papa Pio XII lançou a formidável Encíclica Huarietisaquas consumando magistralmente a reflexão bíblico-teológica que embasa a devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Esse fato é significativo uma vez que o Pe. Gumercindo nutria grande afeição por esse Papa, como o descreve em Pedaços d’Alma, p. 113: “sustentei sua mão com energia e o senti santo”.

As palavras de Pio XII certamente penetraram na vida devota do Padre Gumercindo, consolidando o seu fervor pessoal e aumentando sua percepção do quanto é possível obter extraordinários resultados práticos quer pastoralmente, no exercício de seu ministério, quer congregacionalmente, nas suas fundações. E, de igual modo, seguindo o magistério de Pio XII, ele continuou a fundamentar o seu desejo de que o Sagrado Coração de Jesus, nessa mesma nomenclatura aprovada e incentivada pela Igreja, fosse encimado a Protetor da Sociedade Joseleitos de Cristo!

Ponderar estes três aspectos (eclesial, pessoal e histórico) favorece-nos acolher exatamente a intensão de nosso Fundador levada a cabo pelo propósito de despertar-nos para a verdadeira espiritualidade cristã: a que nasce no Coração de Jesus e alcança o nosso coração! A ciência de que as fundações do Pe. Gumercindo estão sob a proteção de Jesus acresce nossa vocação para sermos Joseleitos de Cristo segundo a vontade do “Deus de maravilhas” que nos chamou ao carisma e à espiritualidade gumercindiana.

Próximos, como o Servo de Deus Pe. José Gumercindo, ao Coração de Jesus ouviremos melhor suas moções particulares para vivermos a missão conferida aos Joseleitos: a ti eu deixei o pobre, tu serás a ajuda do órfão (cf. Sl 10,14). Somente um coração simples e humilde, inspirado no Coração de Jesus, poderá responder coerentemente a esse chamado que é, em suma, um programa de vida e de missão, afinal, como disse o nosso Fundador: “se somos de Cristo, temos de seguir-lhe as pegadas” (Pedações d’Alma, p. 64).

Pe. Dr. Francisco Valter Lopes, sjc

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