A mística da misericórdia nas festas juninas

A mística da misericórdia nas festas juninas

O   brasileiro, genuinamente festeiro, promove, além de outros, três momentos que parecem envolver todo o ano em clima festivo: comemora-se jubilosamente o ano novo e, como se fosse uma continuidade, brinca-se o carnaval; encerra-se o ano com as celebrações natalinas e no meio estão as nossas festas juninas. Nessas ocasiões o povo é tomado de excepcional alegria e espírito fraterno   como como se fosse coberto de uma aura divina. Afinal, “Deus se manifesta preferencialmente na festa”.

Em face de uma sociedade secularizada que tende a enfraquecer ou mesmo abafar a dimensão do sagrado na vida do povo, importa lembrar que estas festas às quais nos referimos têm ligações com o universo religioso; até o carnaval que, dentre elas, parece conter mais elementos   de uma cultura mundana.

Queremos então mencionar três santos celebrados nesta época do ano e aspectos de suas vidas que nos colocam em sintonia com o tema da misericórdia, presente nas atividades pastorais e   celebrativas da Igreja nesse Ano Santo da Misericórdia: Santo Antônio, São João e São Pedro.

É conhecido o gesto de Santo Antônio de distribuir aos pobres os pães   destinados aos frades do seu convento, inspirando assim a tradicional “bênção do pão”, expressão de solidariedade e partilha. Num de seus sermões, ele   diz que “a misericórdia do Pai é graciosa, espaçosa e preciosa”. Graciosa, porque é   concedida sem nenhum mérito de nossa parte; espaçosa, por ser ilimitada e preciosa pelo fato de não se poder avaliá-la. (santoantoniodopari.com.br; 21/06/16).

São João Batista, gerado por pais já idosos e, além disso, tendo a mãe considerada estéril, sinaliza   a misericórdia de Deus para com eles. Daí o seu nome – João – que significa “Deus se mostrou misericordioso ou favorável”. A concepção de João Batista é uma mensagem da fecundidade na vida dos que buscam o Senhor, podendo assim superar o desânimo e a tristeza e alegremente festejar. Podemos, portanto, afirmar que a disposição do povo em fazer festa em meio a crises que o castigam e o fazem sofrer é um sinal da benevolência e misericórdia divina.

Por fim, trazemos a figura de São Pedro, escolhido   para pastorear a Igreja fundada na fé por ele testemunhada no próprio Jesus como o Filho e Ungido de Deus cf. Mt 16, 16-19).  Embora revestido dessa nobre missão, os Evangelhos atestam que, se por um lado   ele se mostra frágil pecador, por outro dá belos testemunhos de humildade e confiança na imensurável misericórdia do Senhor.  Na quinta-feira santa, confessa-se indigno de ter seus pés lavados pelo Mestre, entretanto, aceita-o ao ouvir o próprio Senhor (Jo 13, 6-9). Numa das aparições de Jesus ressuscitado, pede ao Senhor que se ponha longe dele pois tem consciência de ser um pecador (cf. Lc 5, 2) e chora amargamente por conta de sua   infidelidade para com o Senhor Lc 22, 62).

Que Santo Antônio, São João e São Pedro nos ajudem a fazer das nossas festas também um louvor ao Senhor, infinitamente misericordioso!

Pe. Raimundo Ribeiro Martins, sjc – Conselheiro Geral